
o flamengo está fora da libertas-2010.
já tinha escrito isso neste blog, há um mês, quando ganhamos apertado do caracas no marakas e nossa classificação às oitavas do certame sudamericano se viu reduzida a especulações matemáticas. acontece que o flamengo conseguiu se classificar. por conta dos outros.
então pegamos o poderoso corinthians paulista de ronaldito & seus centenários gambácticos. o primeiro confronto, no marakas, foi um lodaçal danado. ganhamos. levamos um bailinho no pacaembu, mas vagner love, cheio de amor, nos segurou mais um tempo no certame.
então voltamos aos brazos do universidad de chile. velho conhecido da primeira fase. o último invictus da libertas. tínhamos perdido pra eles em santiago do chile, empatado no marakas. depois perdemos no marakas pelo primeiro jogo das quartas-de-final. miseravelmente. no entanto, esta noite, no caldeirón chamado estádio santa laura, quase nos classificamos às semifinais.
não dá pra reclamar. fomos longe demais para um time que em momento algum mostrou mínimo padrão de jogo...
o flamengo agora tinha que bater o universidad de chile por dois gols de diferenza. este 2 x 1 foi pouco. mas, veja bem, este ano não tivemos cabañas neñum, e o toró sequer deu tapas em gandulas. baita progresso. quem sabe um dia a gente consiga ganhar dos gringos no marakas? quem sabe?...
o clube de regatas do flamengo entrou no santa laura para se despedir da taça libertadores da amerika-2010 com bruno zousa no gol, david e angelim na zaga, leonardo moura à direita, juan maldonado à esquerda, toró e williams no meio, kleberson e michael mais à frente, adriano imperatore e vagner love no ataque.
o primeiro tempo foi aquilo que já conhecíamos de outros encontros. os manjados universitários dando uma falsa impressão para o flamengo de ter o domínio das acções. os camaradas encolhidos, cedendo três quartos do campo para o estéril domínio de bola, toque de bola do mengo. estéril a ponto de o primeiro grande lance de gol ter sido não dos visitantes, mas de montillo, na risca da área, cortando toró e nos acertando o travessão. aos trinta e seis minutos. cinco minutos depois, foi a vez de leo moura acertar o travessón deles. mas, sem querer tirar o mérito de moura em um de seus raros momentos de brilho, esse chutão de longa distância foi mais acaso do que uma ideia concebida e executada. exactamente porque nesse ponto do jogo estava claríssimo o que faltava ao flamengo, o que falta a este flamengo.
com michael e kleberson como armadores no meio-campo, adivinhe, o que falha é a armação... kleberson mais uma vez com aquele dom que deve encantar o d*nga: sempre chegar onde a bola já não mais está. e sobre michael, basta dizer que bateu dois escanteios pela esquerda: um na altura das canelas, outro por trás da meta chilena. evidente que os demais jogadores do fla estavam cientes desse estorvo, então bruno zousa vivia a soltar bicudas para frente, adriano vinha pra meiúca buscar a bola, nossos laterais se embolavam no meio, williams queria acertar passe comprido, etc.
num mato-sem-cachorro assim... só mesmo muita raça pra vencer a retranka universitária. bate e rebate na área, bola alzada para adriano. nosso imperatore solta sua majestádica e robusta silhueta no espaço, a emendar em cheio uma improvável e antinewtoniana bicicleta - e a pelota cruza o ar grávida de expectativas, até atingir os dreads rubro-negros de vagner love. o amor!
primeiro tempo encerrado. primeira parte de la missión cumprida.
bolas de golfe a choverem da arquibancada na saída do flamengo para os vestiários. chamem o tiger woods, seus índios miseráveis!
o segundo tempo foi aquilo que se esperava depois de o placar ser aberto aos quarenta e quatro. os universitários ainda mais recuados, esperando a necessidade rubro-negra aumentar com o passar dos minutos para, num contra-ataque, tu sabes o quê. pois era esta a segunda parte de nossa missão em santa laura: marcar mais um golzito e continuar sem tomar nenhum lá atrás. e aconteceu de rogério lourenço ter a fineza de tirar michael de campo. michael não dá, p*rra... petkovic entrou. e mesmo nosso vô conseguiu ser mais eficiente que michael. na primeira bola que lhe caiu de jeito, driblou um primeiranista da universidad de chile e entrou na área para chutar cruzado. foi quase. depois adriano cabeceou bonito, o arqueiro pinto foi buscar. enquanto rogério estava a se esgoelar à beira de campo, querendo que kleberson segurasse o pinto - um outro pinto, um meia do universidad. rogério deveria desistir do kleberson, p*rra. apesar de kleberson relutar em apertar o pinto, foi nesse momento, meados da etapa complementar, que o fla deu impressão de que something could happen. mas logo os universitários entraram na onda de sua torcida a cantar nonstop. a pressão deles vinha nos escanteios, pela esquerda, pela direita, nossa zaga a espanar, zousa a espanar. something could really happen. e aconteceu... aconteceu que montillo caiu sozinho pelo meio, ninguém tentou chegar nele, o moço foi se aproximando, se aproximando e, ao ver bruno zousa a colher margaridas na pequena área, meteu docemente de cobertura. tipo messi. foi tudo.
vinte e nove minutos. tínhamos que fazer dois gols em quinze minutos. na casa deles.
ah. rogério, meter vinicius pacheco agora? só agora que a vaca se foi pro brejo? obrigado.
adriano imperatore ainda fez um segundo gol. faltando doze minutos. a pressão continuou mais um tanto. o caldeirão deu até uma boa esfriadinha. e o rogério até chegou a tirar o kleberson para meter o mezenga. aos quarenta e um. terminamos com imperatore, loverman, mezengol, pachecão & pets. todos juntos. como não se vira nem mesmo diante dos olarias da taça goanabara-2010. que ousadia, hein?
(williams ainda levou um vermelhinho. só pra fechar a libertas da mesma maneira que começara. a isso chamamos poesia, amiguinhos.)